Falei nisso, colo isso. Furacão Hugo, no Atlético, onde comecei a por vê-lo, como uma personagem de banda desenhada, que marcava golos espectaculares e depois ainda celebrava de maneira igual ou ainda mais espectacular, com aquela cambalhota mítica. Estes via ainda puto, e nem precisava de esperar pelo final do Domingo Desportivo, estes via nos canais espanhois que apanhava, em horário nobre ou por vezes no noticiário à hora de almoço.
Depois acompanhei o seu declínio no Barnabéu, no final decrépito da Quinta del Buitre, e a imagem mais forte que tenho foi de um jogo de final de época, numa altura em que o Real já não ganhava a ninguém, com Hugo a falhar um penálti de forma brutal, quase. Ele que até nisso fazia questão de ser espectacular, mandando gandas bojardas que parecia fazer de propósito para bater na barra e entrar (para dar mais espectacularidade), e nesse falhanço consegue mandar a bola uns bons metros acima da baliza mesmo. Deprimente, mas eloquente. Mesmo com a equipa em crise, o gajo tenta fazer o que sempre fez, para tentar voltar a dar aquela chama ao adepto. Há algo de egoísta mas também nobre nisso. E depois disso acho que ainda jogou até bem quarentão lá no país dele.